últimas

Star Wars - The Clone Wars
Encarnação do Demônio
Asterix nos Jogos Olímpicos
A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
Era Uma Vez...
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Hancock
Kung Fu Panda
Wall-E
Agente 86
O Fim dos Tempos (Oficial)
O Fim dos Tempos (Colaborador)
O Incrível Hulk
Sex and The City
Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian
Primeiras Impressões: Príncipe Caspian
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
A Visão de um Fã: Indiana Jones IV
Speed Racer
Homem de Ferro
Ponto de Vista
As Crônicas de Spiderwick
Jumper
Sweeney Todd
A Bússola de Ouro
Harry Potter e a Ordem da Fênix
Piratas do Caribe - O Baú da Morte





arquivo

dezembro 2007
fevereiro 2008
março 2008
abril 2008
maio 2008
junho 2008
julho 2008
agosto 2008




cinéfilo(s) online | adicionar aos favoritos | contato (orkut) | equipe |

    > Home / PipocaCríticas (Inicial)


Star Wars - The Clone Wars
quarta-feira, agosto 13, 2008
Por Anônimo


Pipoca Combo
por Henrique Marino

Antes de entrar na sessão de Star Wars – The Clone Wars (Star Wars - The Clone Wars - EUA - 2008 - Warner) estava me perguntando para que diabos George Lucas fez esse filme e toda essa série televisiva em animação de 100 episódios (previstos). Para me responder a essa pergunta, utilizei três hipóteses que talvez se confirmassem ao fim da película: 1) chamar a atenção do público infantil para o mundo Star Wars; 2) complementar a história ou 3) não passa de mais uma fonte alternativa de lucro.

A primeira hipótese é óbvia por um fator externo ao filme: a série para televisão será transmitida pelo Cartoon Network. Outro fator de obviedade é que se trata de animação; não que toda animação seja exclusiva para o público infantil como Érika Zemuner escreveu no seu texto de estréia para a coluna Anime-se, mas em muitas ocasiões o público adulto também é incluso e em raras vezes a animação só admite o público adulto – o que não acontece no caso de Star Wars – The Clone Wars. No entanto, essa hipótese pode ser absolutamente confirmada por alguns detalhes: as piadas são infantis boa parte do tempo, tanto que em certos momentos a piada apenas soava como piada, mas não saía do soar-piada; os andróides até ficam mais estúpidos do que já eram para divertir o público – o que cansa depois de um tempo porque boa parte do fundo cômico vem deles; há também muitas frases desnecessárias para um público com mais idade, tanto por serem muito didáticas como por se tratarem apenas de uma forma, inútil – já lhes digo porque - de exteriorizar os sentimentos das personagens em relação à situação ou, então, para fazer algum gracejo.

Deixe-me fazer uma nota antes de prosseguir. Disse que eram inúteis as tentativas de exteriorizar os sentimentos das personagens. Pois bem, já se encontra uma dificuldade enorme na atuação convencional dotada de expressões corporal, vocal, gestual, facial, etc. Há, então, numa animação à computação gráfica, uma forte barreira a se transpor e cabe ao dublador superar isso. Mas, infelizmente, as vozes não são capazes de satisfazer essa necessidade. Em especial a de James Arnold Taylor, a voz de Obi-Wan Kenobi, que muitas vezes parece não trazer sentimento algum e a voz de Padmé Amídala, Cat Taber, que num dado momento de sarcasmo um simples “acredito” não foi nem um pouco condizente com a situação irônica.

Retomando, deve-se verificar a segunda hipótese, antes dada, pela história que nos é apresentada durante o longa. Trata-se de um enredo simples e sem muita previsibilidade que gira em torno de uma missão concebida à Anakin Skywalker e sua nova padawan, Ashoka Tano – uma personagem enfiada sem um propósito importante para a história geral de Star Wars senão para desenvolver uma nova e superficial relação jedi/padawan. Bastante linear, o roteiro não deixa pendências dentro do que é proposto, no entanto, é possível notar como ele mais parece um roteiro para episódio televisivo que para um filme de 90 minutos, estendido apenas por meio de enxertos de cenas de ação e guerra. Com isso dito, é impossível reconhecer que esta fosse uma peça que faltava no complemento da história.

A terceira e última hipótese, óbvia, é e sempre foi coadjuvante de Star Wars. Não houve película da série em que o objetivo hollywoodiano de enriquecer alguns cofres não pudesse ser observado. Além do mais, a história dessa em particular não é mais que um prelúdio, um tira-gosto que incita o espectador a ver o que virá a seguir: a série para a televisão. É possível observar que o filme é um abre propagandístico, uma ferramenta de marketing para algo mais ambicioso: a venda de produtos relacionados à série para futuros fãs mirins.







Encarnação do Demônio
sexta-feira, agosto 08, 2008
Por Marcello Morgan


Quem sabe o Juízo Final seja feito pelo Zé do Caixão, porque o filme Encarnação do Demônio (Fox Filmes - Brasil - 2008) é quase um. É hilariante assistir a este trash, não pelo fato de ser do Mojica, mas porque a péssima atuação dos atores e a criatividade sombria dele torna tudo muito cômico.

Esta é a última parte da trilogia de Mojica, que em todos os outros filmes procurava pela mulher ideal para seu herdeiro. Há também “participações” dos primeiros filmes neste último, como flashbacks e os espíritos das vítimas do Zé do Caixão, que são todos pintados por uma tinta prateada dando a entender que eles são uma memória ou até mesmo porque os filmes antigos eram em preto-e-branco.

A história gira em torno da caça ao Zé do Caixão e este em busca da mulher perfeita para seu herdeiro, como se já não bastasse uma, ele optou por sete mães, cinco delas capturadas por seus comparsas sendo um deles o típico amigo de um cientista louco, velho manco com corcunda, como se fosse um “Igor”, mas chamado Bruno para ele ter seu futuro herdeiro, ou melhor dizendo, seus sete herdeiros.

A insanidade deste longa é extrema principalmente quando se trata das torturas. Provavelmente, as relacionadas a perfurações são reais como a de um policial que é pendurado com ganchos pelas costas e a do Juízo Final, quando um homem costura a boca de uma mulher. Além destas, existem as demais torturas como chicotadas, olhos furados, pele arrancada do corpo, banho de sangue e tripas, ser trancado dentro do corpo de um porco e a pior de todas: comer uma deliciosa fatia de sua própria nádega. Dá para imaginar que ele contratou masoquistas de verdade para algumas cenas e também muitas atrizes que não se preocupam com a nudez e tirando a roupa várias vezes durante o filme.

Voltando às péssimas atuações, Mojica tem um terrível hábito de falar pausado, fazendo suspense em tudo que diz, chegando a ser incrivelmente ridículo. Os outros atores, que parecem estar lendo seus roteiros, protagonizam pouquíssimas cenas em que convence de que eles não estão ditando o que já decoraram, acreditando-se um pouco em suas atuações.

Cenas nojentas e escuras não faltam no longa. Apesar do fato de que provavelmente quase ninguém irá vê-lo, é engraçado entrar na sala de cinema e se ver fazendo parte de um pequeno grupo de seis pessoas. Mas dá para rir bastante e se divertir com as atuações, com a maquiagem, com a história e também com a cena de sexo necrófilo no meio do Playcenter.








Asterix nos Jogos Olímpicos
quinta-feira, agosto 07, 2008
Por Anônimo

Alguns podem julgar, a priori, que um filme como Asterix nas Olimpíadas (“Astérix aux Jeux Olympiques” – França / Alemanha / Itália / Espanha / Bélgica – 2008 – PlayArte) é algo de que o cinema europeu tem de pior. Engana-se. Munido de 90 milhões de dólares, a produção é a mais cara da história do cinema na França e, apesar de seu estilo mediano, é a melhor da série até o momento justamente por não se tratar unicamente daquilo que o título introduz.

Pegando carona na motivação dos Jogos Olímpicos, os roteiristas Franck Magnier, Thomas Langmann, Alexandre Charlot e Olivier Dazat souberam aproveitar na medida os elementos icônicos das histórias em quadrinhos de Asterix e Obelix, sem nem ao menos centralizar a trama na dupla. O novo intérprete de Asterix, aliás, contribui muito bem para o todo; Clovis Cornillac consegue equilibrar o tom piadista do nanico sem sobrepor esta ao perfil um tanto aborrecido do personagem. Enquanto que Gerard Depardieu desta vez não pode ser considerado um talento desperdiçado; seja pela ausência de Obelix no título e em muito do filme - pelo que se espera – ou até mesmo porque empregou muito bem o que lhe cabia no pouco tempo em tela.

Contudo, a boa presença em cena dos heróis não é o suficiente para levantar a moral do filme. A trama inicialmente gira em torno de Apaixonadix, um jovem galês que se apaixona pela princesa da Grécia, mas que para ter o direito de se unir a ela terá de vencer Brutus, o filho de Cézar, nos Jogos Olímpicos. Inicia-se aí um jogo de artimanhas e trapaças por parte de Brutus para vencer a competição, o pai e se casar com a princesa.

Investindo algum tempo de projeção para contar como Apaixonadix pretende conquistar o direito de possuir o que quer, o roteiro dá várias manobras que terminam por evidenciar Brutus, dando uma margem enorme para o bom, porém exagerado, desenvolvimento deste. A performance de Benoît Poelvoorde como o filho de Cézar é caricata, mas agradável por se limitar a trejeitos que amenizam algumas passagens mais sombrias (que são raríssimas) de Brutus.

Sendo este o primeiro filme que trata da adaptação dos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo a utilizar efeitos visuais de ponta para criar cenários e luzes, ele se mantém firme em sua técnica (contestável apenas nos figurinos artificiais). Uma das seqüências finais, a corrida, é um grande passo aos blockbusters franceses, ainda que atrasado em relação ao que Hollywood pode fazer. Os diretores Frédéric Forestier e Thomas Langmann sabem compensar, às vezes, a falta de tato com a produção nas tomadas simples que pouco exploram a qualidade de alguns de seus melhores cenários.

Ao menos é inegável que a história caminha bem durante o começo e meio. O roteiro tem sua originalidade e os diálogos são fáceis ao público infantil, mas não descartáveis aos pais acompanhantes. Contudo, quando o filme poderia terminar bem (ainda que excluso de dar algumas explicações), surge meia-dúzia de participações especiais, como o craque do futebol Zinedine Zidane, o ator Jamel Debbouze e o jogador de basquete Tony Parker, em atuações constrangedoras e sem graça, contrastando com o bom desempenho que Michael Schumacher exibiu.

Não é dos melhores exemplos a serem seguidos, mas como partida, além da prova do que uma direção ruim pode fazer num roteiro a princípio agradável, fica evidente o quão rico é o cinema europeu, monetariamente. Há uma clara amostra de que não só a Inglaterra sabe investir e dá até certa tristeza quando olhamos para o próprio umbigo e enxergamos o pouco distante aonde estamos habilitados a chegar.







A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
sexta-feira, agosto 01, 2008
Por Breno Ribeiro

Sabe aquela frase “um é pouco, dois é bom, três é demais”? Pois é, nem nela A Múmia – Tumba do Imperador Dragão (The Mummy – Tomb of the Dragon Emperor – EUA / 2008 – Universal) consegue se encaixar. O primeiro filme já deslizava em algumas coisas, não possuía atuações muito primorosas, mas ainda assim divertia: era o suficiente. A continuação era pior que o predecessor e trazia um roteiro fraco e tiradas não tão divertidas: era demais. Já o último (tomara, Deus, que seja o último) da franquia consegue a proeza de ser ainda menos divertido (nada, na verdade) e apresentar um roteiro falho, cenas de ação “estáticas”, atuações medonhas e uma direção oca: é dispensável. Um é suficiente, dois é demais, três é dispensável.

Embora o foco da franquia saia um pouco do universo egípcio e adentre em outro, o chinês, a história não se sustenta. Isso se torna evidente desde a abertura que, contando uma história que lembra à contada sobre Imhotep no original, soa repetida e, portanto, sem graça. A história em si, não o roteiro ainda, além de possuir esse teor “mais do mesmo” durante todo seu percurso, também conta com um encerramento que transpassa o limite da cafonice. Partindo para uma análise abrangente do roteiro, toda a narrativa é cansativa. A trama corre muito lentamente e se tem a impressão de que aquilo não passa de um episódio de sit-com (sim, aquelas séries com só 25 minutos rodados mesmo) esticado, e fatos absurdos também acontecem com uma naturalidade impressionante (é impossível não se incomodar com a naturalidade com que alguns personagens se encontram trivialmente na China, como se ela fosse o boteco da esquina). E nem mesmo todo o esplendor da cultura chinesa que se podia esperar ver na projeção, nem que valesse apenas só pelas imagens, aparece: o filme conta com visuais que em nada remetem à cultura chinesa.

É incrível notar também como todas (sim, todas, sem exceção) as atuações do filme são fracas e rasas, um reflexo de seus próprios personagens, talvez. Contando com personagens sem nenhuma profundidade, viradas óbvias – devido a saturação em que se encontram e também por já terem sido usadas nas projeções anteriores da série –, e diálogos de importância zero; "A Múmia 3" conta com um elenco fraco e personagens ainda mais. A relevância de um deles em particular chama a atenção. Se nos anteriores, Jonathan Carnahan (John Hannah) aparecia como um escape cômico válido por possuir uma certa função na história, no terceiro, ele surge como uma presença sem motivo, embora continue sendo um escape cômico (ou apenas uma tentativa de, já que nada dessa vez é engraçado). Por fim, a troca da bela e razoavelmente boa Rachel Weisz pela insossa Maria Bello foi uma das piores vistas.

Apesar do citado, “Tumba do Imperador Dragão” poderia ser ao menos “assistível” graças as suas cenas de ação. Ledo engano. As seqüências são falhas e sem nenhum êxtase em especial e algumas delas contam com os quase sempre dispensáveis slow motions. Nem mesmo a batalha final impressiona. Falha da direção. Aliás, o filme é recheado delas. Seja pelo zoom in/zoom out nos rostos dos personagens em momentos concebivelmente dramáticos, seja pela câmera tremida (que, em certo momento da projeção, chega a filmar a carcaça de um avião por mais de 3 segundos depois de tremer focalizada no rosto de um personagem), a direção de Rob Cohen é, além de nada inovadora, afetada.

“A Múmia – Tumba do Imperador Dragão” se apresenta como um dos filmes mais fracos do ano, não por um aspecto comparativo, mas por ser mesmo. E, por favor, imploro que parem a franquia por aí, pois além de ela se apresentar num constante declive, terei de procurar outra palavra que defina uma possível continuação para a máxima empregada no início do texto.







Era uma vez...
quinta-feira, julho 24, 2008
Por Marcello Morgan

Sabe quando você senta na poltrona do cinema e se depara nas primeiras cenas com mais uma favela num filme nacional? É exatamente assim que o filme Era uma vez... (Brasil – 2008 – Conspiração Filmes/Globo Filmes) começa, e logo soltamos: “favela de novo?!”. É essa frase clássica que causará um peso na consciência ao término da sessão, porque essa história de amor à la “Romeu e Julieta” envolve, ganha e prende o espectador em sua trajetória romântica.

Dirigido por Breno Silveira (“2 Filhos de Francisco”), o longa pode ser considerado um romance dramático, que conta a história de Dé, morador da favela do Cantagalo, e Nina, filha única de família rica, que se apaixonam e sofrem por causa do preconceito social existente por parte das duas famílias. Esse preconceito social bem tratado no filme demonstra que ambas as famílias possuem seus motivos: Bernardete, mãe de Dé, não quer gente rica fazendo escândalo na favela em busca da filha e Evandro, pai de Nina, não aceita que ela namore com um jovem morador de favela, mas, para a felicidade dos filhos, os dois lados tentam entender e aceitar o que eles desejam.

O palco da história é o bairro de Ipanema, dividido em morro e asfalto, que possui um cenário maravilhoso, deixando o longa muito mais bonito pelas paisagens, até mesmo das favelas - que, apesar da imagem suja, tem sua beleza. A praia, o morro, cenários naturais que viram um grande atrativo fotográfico do filme, já que a cor, luz e sombra tornam tudo aquilo cada vez mais maravilhoso e real.

As atuações de Thiago Martins (Dé) e Vitória Frate (Nina) são fantásticas, eles estão incrivelmente espontâneos, sem exageros para conseguir o que desejam, e isso deixa o filme mais prazeroso, estimulando cada vez mais a emoção, realçando a impressão de que aquilo aconteceu de verdade; além de Cyria Coentro, Paulo Cesar Grande e Rocco Pitanga, dando vida aos personagens secundários que nos deixam mais conectados à história de Dé e Nina.
A forma como o tráfico de drogas é tratado no filme é cuidadosa, sendo apenas ilustrado o lado corrupto da policia - cobradora de dívidas dos traficantes - para que isso não se torne algo tão importante quanto a trama principal, assim como a violência, que fica em segundo plano e só vira parte integrante do contexto quando necessária. Necessidade esta que, com exceção do final, é o momento mais emocionante do filme. O sexo existente neste é sutil e focado no local certo: o amor impossível dos dois apaixonados e na forma como se esforçam para este dar certo.

Claro que, como todo bom romance, ele não escapa de alguns clichês que são visíveis durante os acontecimentos. Contudo, é algo que não demonstra importância e deixa-se passar, se preocupando mais em saber como esse romance acaba, se tudo dá certo ou errado.

Além do filme mostrar que o amor é a coisa mais poderosa do mundo, é uma ótima chance de ver como o nosso cinema tem prestígio e como somos bons no que fazemos; bastando um bom roteiro, competência para dirigí-lo e atores que façam valer seu trabalho, provando para muitos que ainda estamos dando os primeiros passos para alcançar - ou chegar bem perto - do cinema internacional.







Batman - O Cavaleiro das Trevas
segunda-feira, julho 21, 2008
Por Anônimo

É uma verdade absoluta que a alegria de muitos críticos é um filme ruim, cheio de defeitos que podem ser listados e comentados com humor ou desprezo, gerando o riso em alguns leitores e diversão dos mesmos. Só que melhor ainda é se deparar com uma obra em escala máxima, que invalide qualquer sessão de qualquer filme que esteja sendo exibido no mesmo cinema. Surpresa ou não, Batman – O Cavaleiro das Trevas (Batman – The Dark Knight – EUA – 2008 – Warner) impressiona por apresentar uma proposta de herói que contrasta com o visto atualmente no cinema, assim como o herói moderno faz com o clássico, na literatura.

Detentor de tantos alvos para elogios, é difícil mirar em apenas um. O roteiro linear sem falhas e furos beira a perfeição, a visão do diretor exibe realismo e a autenticidade artística do elenco é obra do brilhantismo. Executado com primor, o filme insere diferentes impactos ao longo de suas duas horas e meia. O primeiro e mais importante está no prólogo: a primeira imagem vista, Gotham pacífica e iluminada pelo dia, é uma relação clara com o trabalho feito pelo Batman, que contrapõe com o clima obscuro e sombrio visto em “Begins”; a engrenagem que move a trama.

É nesta iluminação pacífica que a mente mais perversa e maníaca, deslumbrada com sua própria insanidade, derruba a moral e o sossego; dos moradores de Gotham, do Homem-Morcego e da platéia. Sem querer cair na redundância, mas o Coringa de Heath Ledger é um espetáculo a parte, e por mais que dêem o valor ao trabalho de Jack Nicholson em “Batman”, de Tim Burton, comparações nem devem ser feitas, tamanha a complexidade absorvida e expressa em cinismo, crueldade, sangue-frio e risadas. Coringa é impassível, liberto, imune a ofensas e ameaças, sendo seu único temor perder a piada. O agente do caos de Ledger é uma marca tão grandiosa que cria certa dependência no espectador. Sua presença inquietante na tela conforta justamente por sabermos como ele age, enquanto que sua ausência produz receio perante o que ele pode estar planejando para sua próxima apresentação circense ao soar da trilha amedrontadora de Hans Zimmer e James N. Howard.

O grande lance de “O Caveleiro das Trevas” está justamente na maneira como ele desenvolve o duelo psicológico entre o Coringa e Gotham City. Interpolando ameaças que desencadeiam em fatos consumados e cenas de ação extremamente elaboradas, porém, não saturadas durante o filme, a produção chegou a um nível de qualidade que nenhum título do gênero policial até hoje chegou. Excluso de grandes seqüências com animações computadorizadas, o filme se aproxima do caráter cinematográfico ao qual quer pertencer. De fato, Batman é um título de ação e os efeitos visuais estonteantes estão lá sim, mas são singelos, usados com precisão e muitas vezes trocados pelo que a boa técnica tradicional da sétima arte pode fazer quando se tem 150 milhões de dólares (já pagos nos três primeiros dias de exibição) para torrar. É neste quesito que Christopher Nolan atinge uma parcela do público que pode não se interessar tanto pela psique do filme e, o mais impressionante, sem usar as cartas chave para tal.

Em relação ao seu antecessor, o herói progrediu. Ainda que seu universo não seja tão belo visualmente como na aventura anterior – uma mudança no padrão da fotografia da produção -, evidenciando a alternância de proposta neste episódio da série, o longa acertou em trocar a “água com açúcar” Katie Holmes por Maggie Ghyllenhaal, que demonstrou ser mais capaz de criar uma Rachel Dawes mais centrada e confiante, admitindo seu caráter heróico contra o papel inútil de mocinha visto em “Begins”. Até os membros do elenco que regressaram parecem ter acompanhado a evolução do Homem-Morcego. Michael Caine e Gary Oldman representam com louvor a proximidade das personalidades do mordomo Alfred e James Gordon com Bruce Wayne e Batman – respectivamente -, exercendo sobre cada lado da vida do herói uma influência de valor, direcionando seus atos para o caminho mais sensato.

Justamente nesta característica que é possível assistir a evolução do significado da palavra “herói” no cinema. Desde seu início, Batman é revoltado com seu passado, canalizando sua raiva através do medo alheio, deixando sua prepotência para a vida social de seu alter-ego Bruce Wayne. No entanto, suas ações e escolhas jamais fugiram dos limites da ética e da lei, diminuindo o alcance de seus passos a apenas o calcanhar de seus inimigos. Mas é quando se depara com um vilão que não tem nada a perder ou ganhar, que unicamente quer produzir e gargalhar com o pânico e a desordem, que Batman se vê obrigado a burlar um sistema que sempre fez questão de manter funcionando. Dentro de sua justificativa dos meios pelos fins, o morcego ilustra pela primeira vez o seu lado realmente sombrio para então suprir a necessidade dos cidadãos a que protege. Esta escolha, esta opção por princípios, o habilita a atingir o mesmo patamar de periculosidade para o Coringa que este impõe para a cidade.

As armas do Batman agora vão além do que a tecnologia lhe proporciona; o único muro que o Tumbler não era capaz de derrubar já não existe mais, a tempo de assimilar a situação catastrófica quando a moralidade é um valor que deixa de ser seguido também por Harvey Dent (pelo na medida Aaron Eckhart). A assimilação por Harvey dos traços sociais tão presentes na sua luta por justiça dá lugar a uma guerra pessoal que o motiva a agarrar a crueldade para concretizar sua vingança, compondo uma dualidade – justiça/crime – que se torna o conteúdo da imagem física do Duas-Caras.

A troca de papéis do Cavaleiro Branco com o Cavaleiro Negro é um dos principais atrativos do longa que foca com cuidado este momento de transição. É ao saber guiar a transformação de um símbolo unicamente interpretado a um símbolo com dois pontos de vista e, de um homem com duas caras e um rosto para o exato oposto, que “Batman – O Cavaleiro das Trevas” se revela uma grande charada que reflete o que todos um dia podem possuir dentro de si.







Hancock (Crítica com alguns spoilers)
sexta-feira, julho 04, 2008
Por Breno Ribeiro

Sabe quando um filme poderia ser muito bem um curta-metragem dada a falta de história do mesmo, mas alguém vai lá e enrola o roteiro todo pra ele ficar com pelo menos uma hora e meia? Então, isso não acontece em Hancock (Hancock - EUA - 2008 - Sony). O filme não possui história suficiente para durar tempo bastante pra ser um longa, mas os roteiristas não enrolam o roteiro colocando cenas soltas ou subtramas sem sentido. Por outro lado, eles criam duas histórias sobre a mesma pessoa tentando, de alguma forma não-aparente, unir as duas num filme só. Seria como pegar "Matrix" 1 e 2 e juntar, com a diferença básica de que ambos possuem por si só uma história coesa e bem montada.

Começando com a história de um herói bêbado (me recuso a usar o "beberrão" das sinopses) e impopular à procura de uma espécie de redenção e terminando com a história de casais extraterrestres que não podem ficar perto um dos outros, "Hancock" só consegue ser no mínimo assistível na primeira metade da projeção, altamente voltada para uma história de redenção que, mesmo não atraindo muito, se mostra coerente até um determinado momento.

O roteiro, aliás, é um show à parte. Além da virada fenomenal na trama para chegar a lugar nenhum, o mesmo traz vários furos e repetições sem sentido. Um dos furos pode ser descrito nas cenas finais do filme, onde a personagem da Charlize Theron aparentemente também sente as dores sofridas por Hancock, quando este não sentiu as dores sofridas por ela minutos antes. E uma das repetições mais estúpidas do filme é o fato de Hancock ficar com raiva sempre que o chamam de "idiota", algo completamente sem sentido para alguém com mais de 10 anos mentais.

Aliás, grande parte das ações do "herói" não condizem com a sua vasta idade etária (visto que a mental estacionou na adolescência). Primeiro por fingir uma postura adulta de "não ligo pro que os outros pensam" no começo do filme e por se negar a fazer coisas que são, obviamente, benéficas tanto a eles quanto a terceiros. A visão totalmente egocêntrica de Hancock o torna um personagem totalmente não-passível da simpatia do telespectador, a não ser quando ele solta uma de suas piadas. Por falar nisso, o humor do filme é algo realmente singular. Pendendo entre o quase-cômico e o humor de mau gosto, o texto escorrega várias vezes ao tentar quadros humorísticos de uma maneira forçada e quase sempre sem graça nenhuma.

Sem graça também é o alto grau de previsibilidade do filme. O diretor Peter Berg focaliza a câmera na cara (sempre tensa, aliás) de Charlize Theron, apontando para o fato óbvio de que ela esconde algum mistério e quando o mistério é revelado todo mundo já sabe do que se trata (aliás, ouvi vários "Já sabia" no cinema quando a cena ocorre, na metade final do filme).

As atuações são outro ponto interessante. Charlize Theron (como alguém que ganha um Oscar de Melhor Atriz se presta a isso?) e Jason Bateman até convencem em seus papéis rasos, mas o uso excessivos de bicos por Will Smith torna a figura do herói bêbado ainda mais caricatural do que de fato já é.

Em suma, "Hancock" é o típico filme que começa razoavelmente interessante (porque bom mesmo não é em momento nenhum) e entra num declive abismal sem fim a partir da metade da projeção, terminando de maneira superficial, previsível e tendo tanto sentido quanto um desfile de moda sem apresentação de roupas.


*Embora eu não me lembre, no momento, de nenhum erro, é notável o declive também no qual entrou a legendagem dos filmes atuais. Além dos já famosos erros de tradução em si, as legendas agora contém erros absurdos de coesão no próprio português. Lamentável.









© Copyright PipocaCombo - 2007/2008 - Todos os direitos reservados.
Identidade visual por Rodrigo Rodrigues.