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Ponto de Vista
quinta-feira, abril 03, 2008
Por Breno Ribeiro

Tá, eu não agüento mais filmes com a temática “salvem o presidente dos EUA porque ele é nosso herói”. Sério, já deu no saco isso, primeiro que ninguém acredita nisso e segundo que ONDE numa democracia tá todo mundo 100% satisfeito com seus governantes a ponto de quererem salvá-lo de um tiro e/ou explosão? É, ninguém.

Péra lá, ninguém não... Thomas Barnes, personagem do sempre... ele, Dennis Quaid (porque caracterizações sem um “sempre” na frente é pros fracos), aparece e tenta (é, a gente finge que não sabe o fim) salvar o presidente de mais um atentado terrorista. AEAEAEAEAE.

Palhaçadas à parte, a idéia (close no idéia) do filme é até, digamos, legal. Mas como já dizia alguém (Einstein, Newton, um pensador desses antigos aí) “a obra é 1% inspiração e 99% transpiração”. E, como por “transpiração” eu não quero dizer os litros de suor que o Dennis Quaid e o Matthew Fox devem ter perdido naquele sol escaldante da Espanha, o filme num chega nem nos 50%. É, como eu disse antes, a idéia é legal e tal, mas o desenvolvimento nem é...

Primeiro (OK, GENTE, AGORA VEM UM SPOILER MUITO GRANDE QUE NINGUÉM PERCEBE NOS PRIMEIROS 15 MINUTOS DE FILME *mentira na parte do ‘ninguém percebe’*), deviam ter mandado o Matthew Fox não dar tão na cara que era o vilãozão, né, gente? Tipo, sabe quando aquele policial super amigo do mocinho dá aquele sorriso do tipo “haha, muito funny você” e você pensa “ih, ele é o vilão”? Pois é, é assim.

Aliás, todos (sim, todos) os personagens do filme (sim, isso é um filme e não um episódio duplo de uma série) são bem, como dizer, rasos. Se existisse um exercício de interpretação para o filme do tipo “marque 1 para os mocinhos e 2 para os vilões”, você num ia pensar nem meia vez em nenhum deles. Tá que tem um terrorista lá que tá lá só porque perderam o irmão dele, mas a história é tão anulada no meio daquele persegue-persegue e no meio daqueles revivals de “De Volta para o Futuro” que nem tem como ficar com pena do pobre.

Aliás, essas passagens de “Máquina do Tempo” hispano-americana-terrorista é bem... maçante. Sei lá, você vê tudo do personagem do Dennis Quaid, aí congela, aí volta, aí você vê tudo do policial espanhol, aí congela, aí volta, aí vemos tudo do personagem do Forrest Whitaker, aí congela, aí volta... até eles num terem mais o que mostrar e o filme estar na hora de acabar (como se ele fosse muito longo... 80 minutos desse vai-e-volta).

O roteiro é bem amarradinho, tudo se resolve no fim e todos felizes para sempre (menos os que morrem, né?), mas vê só, eu tô pra entender ainda a real importância do personagem do Forrest Whitaker nesse filme. Ele num é policial, num é terrorista e nem é o presidente. Ele num é nem a mente do mal por trás de tudo que só se revela no fim, então QUAL A REAL IMPORTÂNCIA DELE? É, nenhuma. Mas tem quem vai dizer: “Ah, ele tinha uma câmera e gravou da onde veio o disparo e gravou a mulherzinha jogando a bomba no palanque”. Ahan, em filme do 007 ele tira a câmera da mão do primeiro figurante no dente e ainda mata ele a cabeçada se ele num quiser dar; mas “Ponto de Vista” inovou. Colocou um ator consagrado pra fazer um papel de figuração e, pasmem! Ainda colocam o nome dele como um dos primeiros dos créditos finais (o terceiro, se não me engano), como se o personagem dele fosse mais importante pra trama do que qualquer um dos outros terroristas. Só porque ele tem um momento “flashback de Lost” e os outros não? *mentira, gente, é porque ele é famoso mesmo*. E qual o motivo da Sigoruney Weaver no pôster se ela num fica nem 10 minutos na tela? *mesmo motivo*


E ou-tra. Já notaram que em todo filme em que o presidente corre perigo de vida é por causa de um grupo terrorista e que no meio do filme o presidente sempre parece bem bonzinho, como se os terroristas fossem uns loucos e matassem de brincadeira? Pois é, “Ponto de Vista” não foge à regra. Aliás, o motivo do personagem do Matthew Fox pra tudo aquilo era tão profundo que eu prefiro nem comentar (“Você não vê que tem uma guerra a caminho?”, ou algo assim, é a última frase do personagem quando indagado por Dennis Quaid sobre seus motivos. Pois é, não tentem entender). Por falar em tiradas toscas, ninguém bate a da última cena do filme que termina com um repórter num noticiário americano dizendo que o presidente está bem e blablabla, que os terroristas foram executados e que “Uma nova era acabou de nascer”. Juro que ri.

Enfim, eis aqui meu ponto de vista sobre esse filme (porque eu também sei fazer tiradas toscas).










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