Por Guto Heyerdahl
Primeiramente, gostaria de deixar uma coisa clara: Não há pretensão de se analisar aqui os aspectos técnicos do filme, mesmo que o tenha que fazer em alguns pontos. Pretendo analisar a parte do enredo, personagens, fidelidade com o livro e outras coisas que os fãs prezam mais ou tanto quanto as qualidades técnicas de uma produção. E, neste sentido, As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian (The Chronicles of Narnia – Prince Caspian – EUA – 2008 – Disney / Walden Media), cumpre seu papel. Aspecto por aspecto, comecemos pelo desenvolvimento do enredo: O primeiro filme, ‘‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’’, praticamente não toma liberdades em relação à obra de C.S. Lewis, levando o texto quase que ao pé da letra. Em Príncipe Caspian, o roteirista entendeu que filme é filme e livro é livro, tornando a história ainda mais emocionante. Mudanças nem um pouco sutis são feitas, porém, da forma certa. A estrutura do livro dificultaria o filme, pois o anão Trumpkin conta a história de Caspian, o que tornaria o filme cansativo.
Boa é a sorte do roteirista que soube passar a trama de Caspian por meio de falas jogadas aqui e acolá, e constituem o arco dramático do filme. Enquanto que algumas cenas de batalha poderiam ter alguns minutos a menos, e outras poderiam ser maiores do que são.
Quanto aos personagens, algumas mudanças de personalidade podem ser estranhadas pelos fãs, como o romance desenvolvido subliminarmente entre Caspian e Suzana, e a rivalidade infantil sem sentido entre o mesmo Caspian e Pedro. No resto que concerne aos personagens, nenhuma mudança será sentida.
Voltando as batalhas - e que batalhas -, Príncipe Caspian mostra que sabe o que faz quando move sua câmera de forma perfeita pelos cenários de batalha. Nada mais batido, mas que quando executado com maestria nos dá uma verdadeira sensação do calor da seqüência.
Outro aspecto interessante do filme é a forma como associa os Telmarinos aos árabes/muçulmanos, quando na série de livros, os Calormanos são o povo que mais evoca tais características. Isso se prova no seu sotaque, nas barbas e em vários outros pequenos elementos que lembram o Islã.
Numa visão panorâmica, "Príncipe Caspian" é um ótimo filme, uma belíssima adaptação e uma tremenda peça de entretenimento.