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Wall-E
sexta-feira, junho 27, 2008
Por Érika Zemuner
É quase certo que em uma frase onde se leia “Pixar” nos deparemos também com a palavra “sucesso”. Impossível que uma empresa dessa categoria desperdice sua alta tecnologia e destreza em animações com um filme descartável ou simplesmente mediano. Já estava evidente há muito tempo (desde os belos trailers até às vinhetas divulgadas) que não seria com Wall-E (Wall-E – EUA – 2008 – Buena Vista) que os produtores do estúdio - obviamente apaixonados pelo que fazem - cometeriam esse equívoco. A trama se passa no ano de 2700 e o planeta se encontra soterrado pelo lixo produzido pela humanidade. Restou à população terrestre uma única alternativa: sair em cruzeiro espacial na nave Axiom munida de todo o conforto que a modernidade pode lhes oferecer enquanto pequenos robôs, incumbidos da árdua tarefa de limpar suas quinquilharias, permanecem na Terra. Mas, devido ao estado precário do planeta, todos os robôs acabam se degradando e param de funcionar, restando apenas um exemplar deles: Wall-E, o herói do longa. O simpático robô segue uma rotina de transformar todo o resto deixado pelos homens em cubos de lixo compactado. Entre todos esses cacarecos, Wall-E encontra, vez ou outra, algum objeto que lhe interessa e guarda entre os demais já estocados. O preferido é uma fita VHS do clássico “Alô, Dolly”. O filme, aliás, é presença constante na animação, não só porque somos apresentados a pequenos trechos dele, mas também porque vem daí o tema do casal Wall-E e Eva, It Only Takes a Moment.
Opa, casal? Exatamente. Os robôs também amam, e é justamente esse pequeno ‘defeito’ de personalidade desenvolvido em Wall-E que mudará sua rotina de produzir torres de lixo compactado. Enviada à Terra com a missão de verificar vestígios de vida existentes no planeta, a robô com visual futurista e inúmeras habilidades logo desperta em Wall-E um grande amor, no sentido mais sincero e puro da palavra. A partir desse ponto o protagonista terá de encarar situações nunca vividas por ele para permanecer ao lado de Eva e poder protegê-la do que uma descoberta – ironicamente uma pequena esperança de vida - pode lhe causar.
Para as crianças, fica uma animação graficamente espetacular de encher os olhos. Meticulosamente produzidos, os personagens principais do filme, os robôs, comunicam-se praticamente sem falas. E, sinceramente, elas são facilmente dispensáveis para alguém com os olhos expressivos de Wall-E. Não é necessário que ele faça nenhuma declamação para que saibamos exatamente o que ele pensa e sente, quais suas angústias e desejos. O espectador entra totalmente em sintonia com aquela pequena mistura de "E.T. – O Extraterrestre" e Johnny 5 (o personagem de "Um Robô Em Curto Circuito").
Para os mais crescidinhos há também um alerta: essa será a Terra daqui algum tempo se a tendência ao consumismo, preguiça e sedentarismo continuar. O planeta não suportou a destruição que a presença humana lhe impôs; as gerações que viveram na nave Axiom foram, gradativamente, se acostumando a nenhum esforço, afinal estavam cercados da conveniente tecnologia para poupar qualquer trabalho, seja ele um simples gesto de pegar um objeto a mais de meio metro de distância. O resultado disso são adultos e crianças completamente obesos, incapazes de sair deste estado de inércia degradante. Não há como não se assustar com os edifícios feitos de lixo entulhado nesses 700 anos, não há como não se sentir culpado ao se dar conta de que você, ali sentadinho em sua poltrona com seu copo de Coca-Cola de 500 ml, assistindo ao filme enquanto saboreia uma gordurosa pipoca, é também sujeito ativo nesse desequilíbrio em que reina a lei do menor esforço.
Porém, não se iluda. A intenção de Andrew Staton, diretor e roteirista do filme, não é fazer panfletagem em volta de um tema amplamente debatido atualmente. Afirmar isso seria diminuir injustamente o trabalho artístico dessa obra-prima. O recado está dado explicitamente e o tema se encaixou perfeitamente como plano de fundo para o enfoque principal: o amor. É ele que reina durante a animação.
O amor que Wall-E sente por Eva é tocante e simples, como deve ser de fato. Ele a admira com fervor, cuida de sua amada quando ela está desprotegida. Embarca em uma viagem com grandes conseqüências para seu futuro (e o da Terra) com apenas um objetivo: estar com Eva.
Um importante aviso deve ser dado. Como já virou hábito quando se trata de Pixar, a diversão começa antes mesmo do filme principal. Antes de nos apresentar "Wall-E", entra em cena "Presto", o curta-metragem da vez, que narra as trapalhadas de um mágico constantemente sabotado em um de seus shows pelo coelho que deveria, a princípio, se ater a sair da cartola. Pudera: o artista se esqueceu de alimentar o ajudante.
Sei perfeitamente que elogiar uma animação de responsabilidade da parceria Disney/Pixar é correr o risco de cair no óbvio. Há inúmeras críticas que são apenas elogios para qualquer filme que a empresa se dispõe a fazer e repetir isso é se permitir ser chamado de redundante. Mas, francamente, tentar encontrar um defeito em "Wall-E" me parece, além de inútil, prova de rabugice. De onde os humanos tiraram os alimentos para setecentos anos de reclusão no espaço? Quem se importa? A arte precisa de explicação verossímil a todo momento? Pois "Wall-E" é arte na melhor concepção do termo. E isso é assim, óbvio.
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Agente 86
sexta-feira, junho 20, 2008
Por Anônimo
 É bem verdade que nos últimos anos, os filmes de ação e espionagem têm seguido um padrão. Apesar de no início de sua formação este contexto ter soado atraente, ele muito rápido se deteriorou. É o caso, mesmo que implícito, de Agente 86 ( Get Smart – EUA - 2008 – Warner). Projetado num roteiro de duas vertentes - a comédia e a ação - o longa não se firma exatamente em uma delas, o que por um lado é bom, pois atinge dois pontos extremistas sem divergir-los, por outro, não aponta qual contexto coadjuva qual, se tornando vago. Maxwell Smart é um funcionário de uma agência “secreta” (conhecida por todos, só que, ao conhecimento público, está desativada) que, após sua oitava tentativa, é promovido a agente secreto. Ao lado de sua primeira parceira, a Agente 99 (vivida por uma ótima Anne Hathaway em excelente forma – literalmente), Max deve descobrir e aniquilar terroristas que planejam explodir uma bomba nuclear em solo americano. Cercado de clichês de ambos os gêneros, Smart se esquiva agilmente dos arpões do roteiro. Apesar da alusão ao princípio “salvem o presidente dos Estados Unidos”, a trama se desenvolve naturalmente, com uma certa coerência, sofrendo apenas com uma ou outra má colocação plantada e alguns fatos previsíveis. O maior problema de "Agente 86" está em não criar algo novo além das poucas piadas inéditas. Não que estas sejam desnecessárias, pelo contrário. O humor é muito bem colocado em todo o texto, sem se prover de imagens e falas apelativas. A violência é bem medida e programada. A pancadaria ocorre, mas é amaciada para não fugir daquilo que o filme se propõe a fazer, se encaixando perfeitamente em qualquer faixa etária, sem soar pesado e nem fraco; obedece suas medidas. A mixagem das graças descuidadas promovidas por Max em momentos de tensão são enaltecidas, aliás, pelo melhor desempenho de Steve Carell em papéis sem grande carga dramática até hoje. É nesta interseção que o filme falhou. Com o pensamento focado na interpolação da comédia com a ação, o script se esquece de desenvolver qualquer um dos dois, deixando a história atingir o fim numa progressão lenta, com criatividade mais para os meios do que para os fins. Todo o percurso dos protagonistas parece ter sido construído com o único intuito de dar margem às piadas, uma por uma, colocadas em cima de um roteiro simples de espionagem. E quando este desmérito parece funcionar para alguma coisa, ele peca mais uma vez. A relação entre a Agente 99 e o Agente 86, nos momentos iniciais, recebeu a devida atenção dos realizadores, funcionando muito bem, mas, durante o decorrer da jornada, o texto parece exercer sobre eles o único propósito de levar, no final, a um romance que já está sinalizado a priori.  Se não houve fundo intelectual em sequer uma piada, o que torna a proposta do filme mais assimilável pelo grande público, Steve Carell compensa, generosamente, com sua performance flexível. Max Smart é, como o nome em inglês diz, inteligente. Sua capacidade e autonomia não podem ser, em momento algum, comparadas às de Jacques Clouseau, de “A Patenera Cor-de-Rosa”, até porque, 86 está muito longe disto. Smart é atrapalhado, sim, um tanto quanto sem jeito e um pouco desnorteado, mas tem boas qualidades que sugerem apenas uma inexperiência no cargo. Demonstra coragem, velocidade, reflexo, esperteza, elasticidade (sim, isso mesmo) e força sem jamais perder a oportunidade de divertir. E Carell captou este sentido com louvor, enriquecendo o conteúdo do personagem. Desde suas expressões faciais impassíveis até sua postura diante de cenas que exigem maior habilidade física, Steve Carell se mantém decente e arranca risadas sem recorrer aos exageros estereotipados como Jim Carrey, nos presenteando com um avanço considerável em relação às comédias pastelão. Outro grande salto, proporcionado, talvez, pelo caráter frenético que algumas seqüências exigem, são os efeitos visuais. Não que a produção inove, mas, ao utilizá-los apenas como instrumento de auxílio, ganha-se em qualidade, capricho e convencimento; algo que não é visto habitualmente em comédias, ausentando a necessidade de criar ondas exorbitantes de animações computadorizadas. Baseado em estruturas reprisadas, "Agente 86" é uma boa evolução na forma como uma história pode derivar de uma boa reciclagem. Aproveitou tudo o que anteriormente foi testado e aprovado pelo cinema e jogou na sua fórmula, sem descer muitos níveis qualitativos. Ainda que saia devendo na originalidade, dá o troco no carisma e na boa organização do pouco que se habilita a exibir. Num contexto onde os louros dos estúdios provêem das continuações, há uma boa forma para, ao adicionar criatividade, moldar uma boa surpresa.
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O Fim dos Tempos
segunda-feira, junho 16, 2008
Por Breno Ribeiro
 Seria muito difícil para M. Night Shyamalan conseguir fazer um filme pior que "A Dama na Água", mas pelo menos ele mostra, com o recém-lançado O Fim dos Tempos ( The Happening - EUA - 2008 - Fox), que está tentando essa proeza. Partindo de uma idéia que soa interessante no começo do filme (pessoas se suicidando), Shyamalan parte para outra idéia levemente menos interessante, mas ainda boa embora confusa (a de que bombas químicas terroristas seriam a causa da onda de suicídio), e ele não pára por aí. Um pouco perto do começo da projeção, quando tudo já estava mais ou menos encaixado na cabeça das pessoas, surge a teoria que serve como base do filme, é sustentada e aceita com facilidade pelos personagens e ainda serve de alerta ambiental (num filme onde mostram leões comendo os braços das pessoas? Pára, né?): A que as plantas por se sentirem ameaçadas começaram a liberar gases tóxicos que causam esse efeito suicida nas pessoas.
Embora a fachada do filme já seja suficientemente bizarra, ela serve só de cenário para o que há por vir, já que de idéias bizarras podem surgir filmes, no mínimo, assistíveis. Uma das cenas que mais ilustram esse cenário bizarro construído pelo filme chega naquela em que o personagem de Mark Wahlberg (péssimo, aliás) conversa com uma planta, explicando que eles só estão na casa dela (!!!) para pegar algumas coisas para comer e usar o banheiro. A parte mais estranha dessa cena não consiste nem no fato de a planta ser de plástico, como o personagem logo nota, mas de eles terem entrado naquela casa procurando por comida e outras coisas quando existia uma placa enorme e muito bem focalizada pela câmera escrito "Casa Modelo" (tipo de casa que existe nos EUA para os arquitetos mostrarem suas idéias, mas onde ninguém vive). Várias cenas mal feitas desse tipo poderiam ser citadas, embora nenhuma chegue ao nível de completa demência que é todos os personagens correndo do vento (!!!!!!), na esperança de que não fossem intoxicados pela toxina das plantas.
Outra coisa interessante nesse tipo de filme, onde falsas catástrofes se aproximam, é o clichê caricatural dos personagens, sem contar o já-conhecido fato de quais são os personagens que sobrevivem até o fim do filme e quais foram brevemente alocados para tentar captar a dó do espectador quando eles morrerem. Aliás, citando mais uma cena sem-noção, essa também centrada no infantil e imaturo personagem de Wahlberg, que é quando ele diz para o corpo de um morto que eles "vão sair bem dali". Brincou, né?
As atuações também fazem parte do ciclo de besteiras do filme. Nem mesmo Mark Wahlberg que costuma fazer um trabalho no mínimo razoável em seus filmes consegue convencer como o inseguro Eliot Moore. O mesmo pode-se dizer do consistente John Leguizamo que, cheio de caretas e trejeitos com a boca, torna seu personagem mais chato do que já seria pelo roteiro fraco de Shyamalan. Já a sempre insossa Zooey Deschanel continua sua trilha rumo ao nada e a menininha Spencer Breslin parece mais uma figurante mal contrada.
A trilha sonora soa irritante, pois há sempre uma aura de ameaça no ar, ameaça essa que nunca chega de fato a se concretizar, pelo menos não com quem deveria ser (quem sabe se os personagens principais morressem, fossemos apresentados a figuras no mínimo menos rasas).
Outra coisa que incomoda é o fato de haver essa idéia velada, mal-feita e um tanto quanto tosca de uma grande história de amor envolvendo o casal principal. Aliás, história de amor entre pessoas já casadas não funciona bem a não ser que eles se separem em algum momento da projeção ou se mostrem de fato sempre muito apaixonados, mas nenhum dos dois acontece durante o filme. A não ser no final, quando os personagens decidem sair dos lugares que os protegiam das toxinas (Shyamalan ignora durante todo o filme que o ar também passa por frestas como buracos de fechadura em portas, mas isso é um mero detalhe - nem é) e escolhem por morrer juntos.
Por falar nisso, a sorte é uma coisa muito interessante nos personagens de Shyamalan, pois eles saem de seus esconderijos um minuto depois de as plantas resolverem acabar com a brincadeira da matança coletiva de repente (tão de repente como começaram). O final do filme é todo um emaranhado de idiotices, por começar na cena em que um cientista tenta explicar a razão do ataque-vegetal como uma forma de aviso do que viria a seguir, só para no final dizer a mesma frase dita por um estudante no início da projeção para que Shyamalan sinta que atingiu uma espécie de ciclo.
"O Fim dos Tempos" é a prova máxima de que não se pode julgar um diretor/roteirista por seu trabalho inicial, o que é uma pena. Um declive deveras triste para alguém que começou tão bem e prometia render tantos frutos. É o fim dos tempos alguém se perder tanto assim (com um título desses, não usar um trocadilho seria sacrilégio).
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O Fim dos Tempos - Crítica do Colaborador
sábado, junho 14, 2008
Por Anônimo
Por Guto Heyerdahl
Colaborador O Fim dos Tempos (The Happening - EUA / 2008 - Fox) é um filme irritante. Irritante, pois sabemos que M. Night Shyamalan é capaz de coisas bem melhores. A película sobre um homem que foge de uma ameaça que faz com que pessoas se suicidem sem dúvida tem como mote uma ótima idéia, mas muito mal aproveitada. O pior é que a explicação dada para os eventos são extremamente fajutas, diferente de filmes com temas apocalípticos, como "Filhos da Esperança", em que o fenômeno que dá origem ao filme não é explicado. Triste. Na verdade, o pior mesmo é o modo que Shyamalan encontrou para contar a parte científica da história. Na verdade, os modos. O primeiro na pele de um senhor maluco quer cria plantas e explica o que é a ameaça - só porque é inteligente é doido? O segundo, televisões. Montes delas! Depois de cada pequena sequência de cenas, uma TV aparece e explica o ocorrido. Chato. Outro detalhe irritante são os personagens sem sentido. Afinal, além do aluno burro-que-do-nada-vira-gênio-e-entende-tudo, aparece um menino negro do nada, que só serve para sofrer na mão de um paranóico com a situação. Provavelmente para haver um único personagem negro com tempo digno de aparição no filme. Outro menino sem sentido aparece na mesma situação em que o primeiro. Este segundo só serve pra deixar a dúvida se a coisa é espiritual ou científica. O terceiro e mais sem sentido é Sra. Jones, personagem amalucada, e, principalmente, chata. O roteiro é estranho. As falas parecem forçadas, como se todos se tornassem filósofos por causa da tragédia. Incrível, como nosso amigo Shyamalan perdeu a mão. Não mencionando ainda a parte científica. Agora que alguns (dificilmente todos) pontos fracos foram analisados, vamos aos positivos: As sequências iniciais do fenômeno (ainda sem o fraco Mark Whalberg) são bonitas. A trilha sonora é mais ou menos, mas nesse começo ela atua com sabedoria. Acabaram os pontos positivos. Voltemos aos negativos. O filme deveria exibir um aviso antes em sua introdução: ''Meio Ambiente avisa''. Sim, deveria, pois é óbvio que o aquecimento global é um ótimo tema para ser trabalhado... Mas espera aí! O motivo do problema dessa vez não é o aquecimento global. Pelo menos não como o conhecemos. São os humanos, em todo o seu potencial. ''As árvores nos consideram uma ameaça'' é a frase dita por Elliot, ao se dar conta da ''verdade''. Como assim? Expliquemos: Nas palavras do filme, existe uma espécie de árvore que, por ter uma lagarta como sua predadora, muda sua composição química para que uma toxina mate a lagarta.Começando por aí, o filme perde o fio da meada. Isso é uma frase Lamarckista. A teoria de Lamarck diz que os seres se adaptam ao ambiente. A de Darwin, aceita hoje em dia, diz que uma série de modificações de um ser coincidiu com a necessidade dele de mudar. Os que não tinham eram eliminados naturalmente: A seleção natural. A tal árvore mencionada não produz a toxina por causa da lagarta, ela produz naturalmente e faz mal a lagarta, que acaba se acostumando a não comer daquela árvore. Mas, até aí, tudo bem. O problema é quando Shyamalan resolve levar isso em grande escala. Novamente de acordo com o longa, os vegetais podem se comunicar entre si por meio de estímulos químicos. Então quer dizer que todas as árvores da costa oeste dos EUA se comunicaram e resolveram: ''Vamos eliminar esse caras de duas pernas!'', sim de DUAS pernas, pois animais não são afetados. Não vamos comentar o problema do vento. Afinal, as árvores produzem vento? Não. É uma infelicidade, mas, numa visão panorâmica, O Fim dos Tempos é ruim mesmo; e só isso. Um filme ruim. Pobre Shyamalan.
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O Incrível Hulk
sábado, junho 14, 2008
Por Breno Ribeiro
 O bom de atores como Edward Norton é que eles são isso mesmo: bons. Mas bons atores, que realmente atuam por prazer e amor a esse maravilhoso mundo do cinema, fazem mais. E ele fez. Partindo de uma premissa ridiculamente imbecil (um homem que fica grande e verde, o herói perfeito... – é impossível torcer para o Hulk quando ele batalha com o General Blonsky lá para o meio do filme), Edward Norton consegue ao lado de Zak Penn montar uma história boa para O Incrível Hulk (The Incredible Hulk – EUA / 2008 – Universal). Claro que nada é perfeito e o texto tem suas escorregadas (muitas escorregadas), mas a trama consegue ser boa mesmo assim.
A primeira parte do filme acontece no Brasil, com cenas ambientadas na Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. Aqui o texto tem um de seus primeiros furos ao tentar fazer uma piadinha envolvendo português e inglês, mas que não funciona na prática: É comum brasileiros confundirem hungry (faminto) e angry (raivoso), mas o mesmo não acontece ao contrário como é mostrado no filme. Além disso, um dos personagens que mais aparecem falando português, nesse começo de filme, tem um sotaque perceptivelmente não-nativo. Mas apesar dos pesares, o começo tem seqüências de perseguição muito bem organizadas e pensadas (o soldado caindo da laje de uma casa depois de passar pelos varais é um exemplo). Entretanto, a primeira cena que mostraria o monstro verde falha ao tentar guardar para mais tarde uma surpresa que todos já conhecem, uma vez que o longa se trata de uma continuação, não de um novo começo. É logo depois desse momento que o roteiro dá um seus maiores escorregões. Depois de conseguir escapar dos soldados no Brasil, Bruce Banner chega na Guatemala em apenas um dia! Pois é, acreditem. Logo depois disso, ele chega ao México e posteriormente aos Estados Unidos. Tudo isso a pé e em 17 dias. Ignorando-se o fato de que os Estados Unidos tem a fronteira com o México toda protegida e que Bruce era perseguido por Deus e o mundo, você pode engolir essa parte da história muito mais facilmente. É agora que uma das partes mais atrativas e ao mesmo tempo a mais desastrosa do filme ocorre: A história de amor de Bruce com Elizabeth. O amor dos dois convence em certos momentos (como na cena em que Bruce/Hulk a leva para uma caverna e ela tenta controlar a raiva dele, numa cena à “King Kong”) e não convence nem um pouco em outros (graças à atuação, dessa vez fraca, de Liv Tyler, que parece estar fazendo teste para atuar como a elfa Arwen novamente, na adaptação futura de “O Hobbit”).  Apesar dos impasses do roteiro (só para citar mais um exemplo, a fuga de Bruce de Elizabeth e sua corrida para um abraço de reencontro dois minutos depois foi bem idiota), o filme consegue se manter firme em todas as cenas de ação. A “última batalha” é uma das poucas “últimas batalhas” realmente boas desse ano no gênero, contendo acontecimentos constantes e intensos envolvendo todos os personagens principais (embora o script aqui encontre uma maneira aparentemente estranha de resolver um problema envolvendo fogo e um helicóptero) e sendo longa o suficiente para que se comece a temer a vida do herói, por mais que se saiba que nada realmente ruim acontecerá a ele. Os efeitos visuais e sonoros dessas cenas também são muito bons, embora o mesmo já não possa ser dito dos efeitos e texturas usados para criar o “herói” do título na maior parte do tempo. Com tudo isso que foi dito, me permito um parágrafo totalmente em primeira pessoa para fechar essa crítica:Apesar de ter ido ao cinema com a idéia fixa na cabeça de que O Incrível Hulk seria uma porcaria devido à premissa, devo tirar o chapéu para os roteiristas, que contrariando expectativas conseguiram uma história interessante; e para o diretor, que conseguiu se manter firme em todas as cenas em que precisava sê-lo. É sempre bom ter uma “decepção” do tipo quando o assunto é cinema, pois pelo menos dessa vez meus oito reais não foram tão mal gastos.
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Sex and The City - O Filme
sábado, junho 07, 2008
Por Anônimo
Por Flavio Freire
colaborador Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. O quarteto mais glamouroso de Nova York está de volta em Sex and the City - O Filme, quatro anos após o fim da bem sucedida série de televisão americana. Matrimônio, vida familiar, humor e, claro, moda e sexo são o enredo de um filme divertido, visualmente belo e leve, pelo qual 148 minutos passam despercebidos.
As quatro amigas que se conheceram em Nova York estão mais maduras e, para o estranhamento de muitos, o sexo não é tao evidente como na série de televisão. Embora um trecho do memorável episódio em que Samantha reclama do gosto do sêmen de seu parceiro sexual seja exibido logo no começo, no maior estilo "no episódio anterior", no filme somos, digamos, poupados de mais detalhes sórdidos como este, embora o sexo ainda esteja presente (não se esqueçam de que o filme ainda se chama Sex and the City). As protagonistas agora estão na faixa dos 40 e alguns anos (Samantha, quem diria, faz 50 anos no filme) e há maiores preocupações em estabelecer uma convivência familiar estável, mas sem, de jeito nenhum, se tornar uma história sem sal de quarentonas largadas que passam a levar uma monótona vida de dona de casa.
Embora esteja bem claro que o enredo principal do filme seja os encontros e desencontros de Carrie, as outras três protagonistas não se deixam ofuscar e desempenham suas histórias com brilhantismo, cada uma com sua faceta característica. Samantha é garantia de risos, embora seja com Charlotte uma das cenas mais hilárias do filme, ao contrário de Miranda, que representa um papel com uma carga de drama maior ao mostrar algumas dificuldades envolvendo traição e um casamento que caiu na rotina.
Não podemos falar de "Sex and the City - O Filme", sem dedicar pelo menos um capítulo exclusivo à moda. O fabuloso figurino organizado por Patricia Field é um cartão de visitas aos fashion victims que incita espectadores a se endividarem por um par de sapatos Manolo Blahnik, que, por sinal, tem uma função inusitada no filme. Ao contrário de "O Diabo Veste Prada", que mostra o lado histérico e hostil do mundo onde a moda é criada, "Sex and the City" mostra o outro lado da moeda: consumidores cujas carteiras bem recheadas tornam peças de alta costura objetos de um cotidiano em que andar carregado de sacolas Gucci, Prada, Louis Vuitton e afins não passa de um passeio corriqueiro. Alguns podem achar o estilo de Carrie exagerado e que não são roupas apropriadas para o dia-a-dia, mas Carrie é uma personagem, e o filme, um desfile.
"Sex and the City" é um filme que atinge os seus objetivos: mata a saudade de antigos fãs da série e diverte e provoca curiosidade naqueles que nunca assistiram a série antes.
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