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O Fim dos Tempos - Crítica do Colaborador
sábado, junho 14, 2008
Por Anônimo

Por Guto Heyerdahl
Colaborador

O Fim dos Tempos (The Happening - EUA / 2008 - Fox) é um filme irritante. Irritante, pois sabemos que M. Night Shyamalan é capaz de coisas bem melhores. A película sobre um homem que foge de uma ameaça que faz com que pessoas se suicidem sem dúvida tem como mote uma ótima idéia, mas muito mal aproveitada. O pior é que a explicação dada para os eventos são extremamente fajutas, diferente de filmes com temas apocalípticos, como "Filhos da Esperança", em que o fenômeno que dá origem ao filme não é explicado. Triste.

Na verdade, o pior mesmo é o modo que Shyamalan encontrou para contar a parte científica da história. Na verdade, os modos. O primeiro na pele de um senhor maluco quer cria plantas e explica o que é a ameaça - só porque é inteligente é doido? O segundo, televisões. Montes delas! Depois de cada pequena sequência de cenas, uma TV aparece e explica o ocorrido. Chato.

Outro detalhe irritante são os personagens sem sentido. Afinal, além do aluno burro-que-do-nada-vira-gênio-e-entende-tudo, aparece um menino negro do nada, que só serve para sofrer na mão de um paranóico com a situação. Provavelmente para haver um único personagem negro com tempo digno de aparição no filme. Outro menino sem sentido aparece na mesma situação em que o primeiro. Este segundo só serve pra deixar a dúvida se a coisa é espiritual ou científica. O terceiro e mais sem sentido é Sra. Jones, personagem amalucada, e, principalmente, chata.

O roteiro é estranho. As falas parecem forçadas, como se todos se tornassem filósofos por causa da tragédia. Incrível, como nosso amigo Shyamalan perdeu a mão. Não mencionando ainda a parte científica.

Agora que alguns (dificilmente todos) pontos fracos foram analisados, vamos aos positivos:

As sequências iniciais do fenômeno (ainda sem o fraco Mark Whalberg) são bonitas. A trilha sonora é mais ou menos, mas nesse começo ela atua com sabedoria. Acabaram os pontos positivos. Voltemos aos negativos.

O filme deveria exibir um aviso antes em sua introdução: ''Meio Ambiente avisa''. Sim, deveria, pois é óbvio que o aquecimento global é um ótimo tema para ser trabalhado... Mas espera aí! O motivo do problema dessa vez não é o aquecimento global. Pelo menos não como o conhecemos. São os humanos, em todo o seu potencial. ''As árvores nos consideram uma ameaça'' é a frase dita por Elliot, ao se dar conta da ''verdade''. Como assim? Expliquemos:

Nas palavras do filme, existe uma espécie de árvore que, por ter uma lagarta como sua predadora, muda sua composição química para que uma toxina mate a lagarta.Começando por aí, o filme perde o fio da meada. Isso é uma frase Lamarckista. A teoria de Lamarck diz que os seres se adaptam ao ambiente. A de Darwin, aceita hoje em dia, diz que uma série de modificações de um ser coincidiu com a necessidade dele de mudar. Os que não tinham eram eliminados naturalmente: A seleção natural.

A tal árvore mencionada não produz a toxina por causa da lagarta, ela produz naturalmente e faz mal a lagarta, que acaba se acostumando a não comer daquela árvore. Mas, até aí, tudo bem. O problema é quando Shyamalan resolve levar isso em grande escala. Novamente de acordo com o longa, os vegetais podem se comunicar entre si por meio de estímulos químicos. Então quer dizer que todas as árvores da costa oeste dos EUA se comunicaram e resolveram: ''Vamos eliminar esse caras de duas pernas!'', sim de DUAS pernas, pois animais não são afetados. Não vamos comentar o problema do vento. Afinal, as árvores produzem vento? Não.

É uma infelicidade, mas, numa visão panorâmica, O Fim dos Tempos é ruim mesmo; e só isso. Um filme ruim. Pobre Shyamalan.










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Identidade visual por Rodrigo Rodrigues.