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Asterix nos Jogos Olímpicos
quinta-feira, agosto 07, 2008
Por Anônimo

Alguns podem julgar, a priori, que um filme como Asterix nas Olimpíadas (“Astérix aux Jeux Olympiques” – França / Alemanha / Itália / Espanha / Bélgica – 2008 – PlayArte) é algo de que o cinema europeu tem de pior. Engana-se. Munido de 90 milhões de dólares, a produção é a mais cara da história do cinema na França e, apesar de seu estilo mediano, é a melhor da série até o momento justamente por não se tratar unicamente daquilo que o título introduz.

Pegando carona na motivação dos Jogos Olímpicos, os roteiristas Franck Magnier, Thomas Langmann, Alexandre Charlot e Olivier Dazat souberam aproveitar na medida os elementos icônicos das histórias em quadrinhos de Asterix e Obelix, sem nem ao menos centralizar a trama na dupla. O novo intérprete de Asterix, aliás, contribui muito bem para o todo; Clovis Cornillac consegue equilibrar o tom piadista do nanico sem sobrepor esta ao perfil um tanto aborrecido do personagem. Enquanto que Gerard Depardieu desta vez não pode ser considerado um talento desperdiçado; seja pela ausência de Obelix no título e em muito do filme - pelo que se espera – ou até mesmo porque empregou muito bem o que lhe cabia no pouco tempo em tela.

Contudo, a boa presença em cena dos heróis não é o suficiente para levantar a moral do filme. A trama inicialmente gira em torno de Apaixonadix, um jovem galês que se apaixona pela princesa da Grécia, mas que para ter o direito de se unir a ela terá de vencer Brutus, o filho de Cézar, nos Jogos Olímpicos. Inicia-se aí um jogo de artimanhas e trapaças por parte de Brutus para vencer a competição, o pai e se casar com a princesa.

Investindo algum tempo de projeção para contar como Apaixonadix pretende conquistar o direito de possuir o que quer, o roteiro dá várias manobras que terminam por evidenciar Brutus, dando uma margem enorme para o bom, porém exagerado, desenvolvimento deste. A performance de Benoît Poelvoorde como o filho de Cézar é caricata, mas agradável por se limitar a trejeitos que amenizam algumas passagens mais sombrias (que são raríssimas) de Brutus.

Sendo este o primeiro filme que trata da adaptação dos quadrinhos de René Goscinny e Albert Uderzo a utilizar efeitos visuais de ponta para criar cenários e luzes, ele se mantém firme em sua técnica (contestável apenas nos figurinos artificiais). Uma das seqüências finais, a corrida, é um grande passo aos blockbusters franceses, ainda que atrasado em relação ao que Hollywood pode fazer. Os diretores Frédéric Forestier e Thomas Langmann sabem compensar, às vezes, a falta de tato com a produção nas tomadas simples que pouco exploram a qualidade de alguns de seus melhores cenários.

Ao menos é inegável que a história caminha bem durante o começo e meio. O roteiro tem sua originalidade e os diálogos são fáceis ao público infantil, mas não descartáveis aos pais acompanhantes. Contudo, quando o filme poderia terminar bem (ainda que excluso de dar algumas explicações), surge meia-dúzia de participações especiais, como o craque do futebol Zinedine Zidane, o ator Jamel Debbouze e o jogador de basquete Tony Parker, em atuações constrangedoras e sem graça, contrastando com o bom desempenho que Michael Schumacher exibiu.

Não é dos melhores exemplos a serem seguidos, mas como partida, além da prova do que uma direção ruim pode fazer num roteiro a princípio agradável, fica evidente o quão rico é o cinema europeu, monetariamente. Há uma clara amostra de que não só a Inglaterra sabe investir e dá até certa tristeza quando olhamos para o próprio umbigo e enxergamos o pouco distante aonde estamos habilitados a chegar.









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