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Encarnação do Demônio
sexta-feira, agosto 08, 2008
Por Marcello Morgan


Quem sabe o Juízo Final seja feito pelo Zé do Caixão, porque o filme Encarnação do Demônio (Fox Filmes - Brasil - 2008) é quase um. É hilariante assistir a este trash, não pelo fato de ser do Mojica, mas porque a péssima atuação dos atores e a criatividade sombria dele torna tudo muito cômico.

Esta é a última parte da trilogia de Mojica, que em todos os outros filmes procurava pela mulher ideal para seu herdeiro. Há também “participações” dos primeiros filmes neste último, como flashbacks e os espíritos das vítimas do Zé do Caixão, que são todos pintados por uma tinta prateada dando a entender que eles são uma memória ou até mesmo porque os filmes antigos eram em preto-e-branco.

A história gira em torno da caça ao Zé do Caixão e este em busca da mulher perfeita para seu herdeiro, como se já não bastasse uma, ele optou por sete mães, cinco delas capturadas por seus comparsas sendo um deles o típico amigo de um cientista louco, velho manco com corcunda, como se fosse um “Igor”, mas chamado Bruno para ele ter seu futuro herdeiro, ou melhor dizendo, seus sete herdeiros.

A insanidade deste longa é extrema principalmente quando se trata das torturas. Provavelmente, as relacionadas a perfurações são reais como a de um policial que é pendurado com ganchos pelas costas e a do Juízo Final, quando um homem costura a boca de uma mulher. Além destas, existem as demais torturas como chicotadas, olhos furados, pele arrancada do corpo, banho de sangue e tripas, ser trancado dentro do corpo de um porco e a pior de todas: comer uma deliciosa fatia de sua própria nádega. Dá para imaginar que ele contratou masoquistas de verdade para algumas cenas e também muitas atrizes que não se preocupam com a nudez e tirando a roupa várias vezes durante o filme.

Voltando às péssimas atuações, Mojica tem um terrível hábito de falar pausado, fazendo suspense em tudo que diz, chegando a ser incrivelmente ridículo. Os outros atores, que parecem estar lendo seus roteiros, protagonizam pouquíssimas cenas em que convence de que eles não estão ditando o que já decoraram, acreditando-se um pouco em suas atuações.

Cenas nojentas e escuras não faltam no longa. Apesar do fato de que provavelmente quase ninguém irá vê-lo, é engraçado entrar na sala de cinema e se ver fazendo parte de um pequeno grupo de seis pessoas. Mas dá para rir bastante e se divertir com as atuações, com a maquiagem, com a história e também com a cena de sexo necrófilo no meio do Playcenter.










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Identidade visual por Rodrigo Rodrigues.