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Homem de Ferro
quarta-feira, abril 30, 2008
Por Anônimo

Vamos ver se você é capaz de adivinhar: um homem humanamente comum sofre uma modificação por obra do acaso ou devido à ciência. Seu corpo, seus hábitos e sua personalidade se adaptam a esta transformação para melhor guiar os poderes. As relações sociais mudam e aquela mulher que sempre esteve por perto se transforma numa paixão (isso se já não era um assunto mal resolvido no passado). Seu propósito agora é ajudar os outros e se esquivar daquele que, até pouco tempo, andava ao seu lado. O número de possibilidades de títulos que podem ser relacionados a esta descrição é n fatorial. Contudo, “Homem de Ferro” (Iron Man – EUA – 2008 – Paramount) não se perde nestes atentados e propõe alguma mudança – ainda que acrescente pouco.

A trama é simples e linear. Tony Stark é um magnata das indústrias bélicas que, após ser sequestrado no Vietnã durante um teste de um de seus produtos, questiona a influência das armas criadas por sua própria compania, tentando pôr um fim na produção. Entretanto se vê obrigado a enfrentar a ferro e fogo (literalmente) os interesses comerciais da empresa. Partindo desta sinopse resumida, a platéia já tem mais do que o suficiente para encarar o longa. Afinal, o que torna Tony Stark o homem sob o nome do título é uma criação simples e suficiente da história, inserida com uma qualidade bem medida que ganha o espectador e o convence a permanecer diante da tela – o que não quer dizer que esta decisão não possa vir a ser questionada em alguns momentos da projeção.

Cercado de clichês e piadas de bom gosto em algumas ocasiões, o roteiro oscila. Há momentos de pura distração e energia, com elementos vivos que são a base para qualquer blockbuster despretencioso em seu conteúdo; mas, ainda assim, limita-se. A história tem tão poucas e raras surpresas que a última delas exala uma dúvida ao não poder definir-se como originalidade ou um conta-pontos na criação dos personagens centrais. Por sorte, o filme ganharia qualquer que fosse a resposta do impasse. Tony Stark é mulherengo, caricato e divertido, mesclando sem falhas sua arrogância e prepotência com a honestidade pedida para um herói sem soar desconortável ou forçado. Resultado de um trabalho em conjuto de Downey Jr. e daqueles que o puseram nesta posição. Talvez tenha sido este o ponto de fusão do personagem com Gwyneth Paltrow e sua interpretada Virginia "Pepper" Potts: o equilíbrio. A química na tela se dá pelo contraste de personalidade dos protagonistas. Paltrow é sutil, discreta e perspicaz em toda a soma de minutos em que se apresenta e, em alguns casos, ganha a capacidade de esquecermos, contudo, que não está dando o melhor de si.

Seja por incoerência na relação talento/aproveitamento ou na falta de tato para explorar o melhor do elenco, o diretor Jon Favreau não atingiu o ápice no filme. Pelo menos não nesses aspectos. A técnica é invejável com grandes alcances. Bons exemplos estão nos efeitos sonoros da seqüência inicial do filme, ou no desenho de produção do traje de metal vermelho e dourado que cobre todo o corpo de Stark numa cena de montagem muito bem dirigida e que mais parece fazer alusão às mil dobras e envergaduras do maquinário dos robôs de “Transformers”.

Apesar de Favreau já ter se mostrado competente em elaborar efeitos visuais com pouco orçamento (como o visto em “Zathura”) complementados por bons ângulos, tal aproveitamento não se aplica sempre em Homem de Ferro. O clímax é de uma falta de coordenação agressiva quando o auge da pancadaria é atingido, dando brechas para reflexões quanto aos motivos de não ter repetido a destreza e habilidade exibidas dignamente na caçada aérea com os F22 ou na primeira boa ação em favor dos oprimidos. Esta última, apesar de simplória, é de boa satisfação.

Originado dos quadrinhos ou marca registrada hollywoodiana (seja em filmes de heróis ou não), o protagonista aprende com os erros frutos da inexperiência. Nada mais desejoso, por parte de um roteiro pouco colaborador; poupa-se trabalho. Se for uma carta guardada para uma possível continuação - a criatividade - menos mal; até faz por onde merecer uma, apesar das avarias. Entretenimento por entretenimento, o longa está longe de fazer feio. É absolutamente superior a uma vasta seleção de produções cabreiras que só não podem ser comentadas por deixarem a desejar porque jamais ameaçaram aflorar algum ânimo. Tony Stark obedeceu bem o que lhe foi deterinado. Sua composição não nos deve nada e sua armadura blindada o acompanha no êxito. Aliás, o filme só derrapa naquilo que nunca prometeu agradar, o que não deixa de ser um ganho. De certa forma, atende às expectativas. Resta saber se o futuro do personagem reserva algo mais digno e proporcional.







Ponto de Vista
quinta-feira, abril 03, 2008
Por Breno Ribeiro

Tá, eu não agüento mais filmes com a temática “salvem o presidente dos EUA porque ele é nosso herói”. Sério, já deu no saco isso, primeiro que ninguém acredita nisso e segundo que ONDE numa democracia tá todo mundo 100% satisfeito com seus governantes a ponto de quererem salvá-lo de um tiro e/ou explosão? É, ninguém.

Péra lá, ninguém não... Thomas Barnes, personagem do sempre... ele, Dennis Quaid (porque caracterizações sem um “sempre” na frente é pros fracos), aparece e tenta (é, a gente finge que não sabe o fim) salvar o presidente de mais um atentado terrorista. AEAEAEAEAE.

Palhaçadas à parte, a idéia (close no idéia) do filme é até, digamos, legal. Mas como já dizia alguém (Einstein, Newton, um pensador desses antigos aí) “a obra é 1% inspiração e 99% transpiração”. E, como por “transpiração” eu não quero dizer os litros de suor que o Dennis Quaid e o Matthew Fox devem ter perdido naquele sol escaldante da Espanha, o filme num chega nem nos 50%. É, como eu disse antes, a idéia é legal e tal, mas o desenvolvimento nem é...

Primeiro (OK, GENTE, AGORA VEM UM SPOILER MUITO GRANDE QUE NINGUÉM PERCEBE NOS PRIMEIROS 15 MINUTOS DE FILME *mentira na parte do ‘ninguém percebe’*), deviam ter mandado o Matthew Fox não dar tão na cara que era o vilãozão, né, gente? Tipo, sabe quando aquele policial super amigo do mocinho dá aquele sorriso do tipo “haha, muito funny você” e você pensa “ih, ele é o vilão”? Pois é, é assim.

Aliás, todos (sim, todos) os personagens do filme (sim, isso é um filme e não um episódio duplo de uma série) são bem, como dizer, rasos. Se existisse um exercício de interpretação para o filme do tipo “marque 1 para os mocinhos e 2 para os vilões”, você num ia pensar nem meia vez em nenhum deles. Tá que tem um terrorista lá que tá lá só porque perderam o irmão dele, mas a história é tão anulada no meio daquele persegue-persegue e no meio daqueles revivals de “De Volta para o Futuro” que nem tem como ficar com pena do pobre.

Aliás, essas passagens de “Máquina do Tempo” hispano-americana-terrorista é bem... maçante. Sei lá, você vê tudo do personagem do Dennis Quaid, aí congela, aí volta, aí você vê tudo do policial espanhol, aí congela, aí volta, aí vemos tudo do personagem do Forrest Whitaker, aí congela, aí volta... até eles num terem mais o que mostrar e o filme estar na hora de acabar (como se ele fosse muito longo... 80 minutos desse vai-e-volta).

O roteiro é bem amarradinho, tudo se resolve no fim e todos felizes para sempre (menos os que morrem, né?), mas vê só, eu tô pra entender ainda a real importância do personagem do Forrest Whitaker nesse filme. Ele num é policial, num é terrorista e nem é o presidente. Ele num é nem a mente do mal por trás de tudo que só se revela no fim, então QUAL A REAL IMPORTÂNCIA DELE? É, nenhuma. Mas tem quem vai dizer: “Ah, ele tinha uma câmera e gravou da onde veio o disparo e gravou a mulherzinha jogando a bomba no palanque”. Ahan, em filme do 007 ele tira a câmera da mão do primeiro figurante no dente e ainda mata ele a cabeçada se ele num quiser dar; mas “Ponto de Vista” inovou. Colocou um ator consagrado pra fazer um papel de figuração e, pasmem! Ainda colocam o nome dele como um dos primeiros dos créditos finais (o terceiro, se não me engano), como se o personagem dele fosse mais importante pra trama do que qualquer um dos outros terroristas. Só porque ele tem um momento “flashback de Lost” e os outros não? *mentira, gente, é porque ele é famoso mesmo*. E qual o motivo da Sigoruney Weaver no pôster se ela num fica nem 10 minutos na tela? *mesmo motivo*


E ou-tra. Já notaram que em todo filme em que o presidente corre perigo de vida é por causa de um grupo terrorista e que no meio do filme o presidente sempre parece bem bonzinho, como se os terroristas fossem uns loucos e matassem de brincadeira? Pois é, “Ponto de Vista” não foge à regra. Aliás, o motivo do personagem do Matthew Fox pra tudo aquilo era tão profundo que eu prefiro nem comentar (“Você não vê que tem uma guerra a caminho?”, ou algo assim, é a última frase do personagem quando indagado por Dennis Quaid sobre seus motivos. Pois é, não tentem entender). Por falar em tiradas toscas, ninguém bate a da última cena do filme que termina com um repórter num noticiário americano dizendo que o presidente está bem e blablabla, que os terroristas foram executados e que “Uma nova era acabou de nascer”. Juro que ri.

Enfim, eis aqui meu ponto de vista sobre esse filme (porque eu também sei fazer tiradas toscas).










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Identidade visual por Rodrigo Rodrigues.