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As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian
sexta-feira, maio 30, 2008
Por Anônimo

Toda continuação tem seus limites. Ainda mais quando se trata de uma adaptação literária. Salvo por este pressuposto, As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian (The Chronicles of Narnia – Prince Caspian – EUA – 2008 – Disney/Walden Media) pode respirar mais aliviado. Contudo, saber explorar o próprio território a fim de verificar-se até onde vai a cerca é um critério necessário para alcançar o apogeu. Neste ponto, o longa deveu. O que torna a premissa inicial verdadeira, porém não válida.

Baseado numa história menos cativante do que o episódio que iniciou a série nos cinemas, a segunda aventura dos irmãos Pevensie na terra de Nárnia dispensa explicações e apresentações longas, além de manter o argumento religioso mais evidente sem atrapalhar a estrutura central. Um amadurecimento lógico e descontínuo que cria uma certa distância entre os dois filmes que ora colabora ora se torna perturbador; um desequilíbrio que coloca em dúvida em alguns momentos se estamos mesmo diante de um produto relacionado ao “Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa”.

O que transforma “Príncipe Caspian” num ponto de interrogação são as suas oscilações. Ao invés de elevar-se a um patamar superior, o diretor - e um dos roteiristas - Andrew Adamson parece relutante em progredir, mesmo que demonstre alguns indícios de amadurecimento. Indícios estes que podem ser observados desde o trabalho realizado na elaboração dos personagens até as pinceladas atribuídas pela direção: Os quatro irmãos Pevensie cresceram. Estão mais rápidos, inteligentes, tomam decisões audaciosas em conjunto e, ainda juntos, transformam as próprias palavras de ordem em ações. Um avanço no psicológico que é mostrado sem ter de se aprofundar demais, o que ocasionaria em maior investimento de tempo de projeção.

Aliás, a duração do filme se mostrou uma inimiga mais cruel do que os Telmarinos. Não que duas horas e vinte seja uma soma exorbitante, mas os minutos mal aproveitados resultam numa extensão irrelevante de passagens que já contribuíam pouco ao contexto. Um percurso que poderia, e aliás deveria, ter sido investido no personagem do título. Caspian, que tem seu caráter apenas sugerido pela trama, é uma adição relevante mais como personagem do que Ben Barnes é como membro do elenco – apesar de não comprometer a produção. Sua postura no filme desvia um pouco o foco outrora sempre em cima dos quatro irmãos. O que não retira a evidência favorável do sotaque hispânico de Barnes ser menos explícito ao compararmos com os Telmarinos; uma força para aproximar o personagem aos irmãos - insistentes como protagonistas.

Proximidade crucial. A rivalidade entre Caspian e o então rebelde Pedro – uma disputa para “marcar território” – se desenrola num nível interessante, atingindo o apogeu em momentos estratégicos e bem dispostos no enredo. Um reflexo da semelhança de personalidade de ambos muito bem colocada que influencia o próprio príncipe a rever o seu lugar nos fatos, exibindo então a matéria-prima de seu real (ênfase) caráter - ao passo que magnifica a típica intolerância da idade de Pedro; falha, por não apresentar um momento de transição deste, desvirtuando um pouco da imagem exibida no longa anterior. Já Edmundo, sem dúvida, é o personagem que mais ascendeu no quesito qualidade. Sua figura é mais esperta, divertida e espontânea entre os Pevensie, um mérito também do ator.

Adamson mudou seu olhar sobre o estilo narniano. Bem como reviu seus conceitos na hora de construir os vilões. A exposição visual da Feiticeira Branca deu lugar ao esteriótipo latino. O caráter hispânico dos Telmarinos é um detalhe interessante. Cria uma maior realidade, mas foge um pouco da verossimilhança que o filme estabelece. Sem necessitar desmerecer a qualidade artística do elenco, ficou um vazio que Tilda Swinton fez questão de preencher e transbordar em sua malevolência nos primórdios dos encantos de Nárnia no cinema. Aliás, sua mínima presença foi o suficiente para resgatar um pouco do que tínhamos de melhor anteriormente.

O clímax da produção de “Príncipe Caspian” reside na balança sempre desregulada que o filme se transformou. O roteiro demasiado esticado e sofrível de trepidações que consegue provar o aperfeiçoamento dos personagens centrais (um contraste curioso) é acompanhado por uma técnica igualmente vacilante. Os efeitos visuais convencem e funcionam com primor quando o assunto é construir (ou destruir) cenários colossais, mas não emplacam quando se é cobrada a graça e suntuosidade que alguns animais da Industrial Light & Magic tinham. Tampouco em grandes realizações da animação digital. As seqüências de batalha (regidas por tomadas curtas demais) satisfazem e são bem ensaiadas e panorâmicas, mas estão muito longe de reprisar os queixos-caídos que “O Senhor dos Anéis” proporcionou – dispensando comparações, afinal, os próprios produtores chegaram a citar a Trilogia do Anel e prometeram exatamente o mesmo efeito. De fato, os golpes de espada e armas brancas estão definitivamente mais realísticos e a coreografia faz bonito, auxiliada por uma escolha de ângulos e enquadramentos singulares poucas vezes vistos. Fora a melhoria exemplar da fotografia, que perdeu a estética artificial e ganhou um padrão mais brutal sem deixar de lado a diversidade de cores que vimos no início da série.

É lógico que um filme como “Crônicas de Nárnia” preza a técnica. É o que muitas vezes faz do trabalho cinematográfico um grande sucesso. Apesar das poucas inovações, da edição de som menos qualitativa e da trilha sonora belíssima, porém menos apreciativa, “Príncipe Caspian” apresenta bons resultados. A maquiagem alcança níveis de êxito extremistas, o figurino está mais impecável e detalhado do que antes e a direção de arte supera expectativas. Não seria surpresa se estes critérios não fossem levados tão em consideração pelo público quanto os efeitos visuais. Mas, ao menos, os fãs podem se dar por satisfeitos pelo ótimo trabalho na roteirização da obra de C.S. Lewis e pelo bom desempenho do mesmo ao cuidar tão carinhosamente de seus personagens. Isto posiciona a produção num degrau bem superior a outras realizações da sétima arte. Talvez o grande mal que assombra a terra de Nárnia esteja além dos poderes de Aslam; uma adversidade que mora num lugar além dos campos que um guarda-roupa ou a mais nobre das trombetas possa levar. Está num castelo grande e branco, com um rato um pouco diferente de Ripchip como anfitrião.







Primeiras Impressões: Príncipe Caspian
domingo, maio 25, 2008
Por Anônimo

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Por Guto Heyerdahl

Primeiramente, gostaria de deixar uma coisa clara: Não há pretensão de se analisar aqui os aspectos técnicos do filme, mesmo que o tenha que fazer em alguns pontos. Pretendo analisar a parte do enredo, personagens, fidelidade com o livro e outras coisas que os fãs prezam mais ou tanto quanto as qualidades técnicas de uma produção. E, neste sentido, As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian (The Chronicles of Narnia – Prince Caspian – EUA – 2008 – Disney / Walden Media), cumpre seu papel.

Aspecto por aspecto, comecemos pelo desenvolvimento do enredo: O primeiro filme, ‘‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’’, praticamente não toma liberdades em relação à obra de C.S. Lewis, levando o texto quase que ao pé da letra. Em Príncipe Caspian, o roteirista entendeu que filme é filme e livro é livro, tornando a história ainda mais emocionante. Mudanças nem um pouco sutis são feitas, porém, da forma certa. A estrutura do livro dificultaria o filme, pois o anão Trumpkin conta a história de Caspian, o que tornaria o filme cansativo.

Boa é a sorte do roteirista que soube passar a trama de Caspian por meio de falas jogadas aqui e acolá, e constituem o arco dramático do filme. Enquanto que algumas cenas de batalha poderiam ter alguns minutos a menos, e outras poderiam ser maiores do que são.

Quanto aos personagens, algumas mudanças de personalidade podem ser estranhadas pelos fãs, como o romance desenvolvido subliminarmente entre Caspian e Suzana, e a rivalidade infantil sem sentido entre o mesmo Caspian e Pedro. No resto que concerne aos personagens, nenhuma mudança será sentida.

Voltando as batalhas - e que batalhas -, Príncipe Caspian mostra que sabe o que faz quando move sua câmera de forma perfeita pelos cenários de batalha. Nada mais batido, mas que quando executado com maestria nos dá uma verdadeira sensação do calor da seqüência.

Outro aspecto interessante do filme é a forma como associa os Telmarinos aos árabes/muçulmanos, quando na série de livros, os Calormanos são o povo que mais evoca tais características. Isso se prova no seu sotaque, nas barbas e em vários outros pequenos elementos que lembram o Islã.

Numa visão panorâmica, "Príncipe Caspian" é um ótimo filme, uma belíssima adaptação e uma tremenda peça de entretenimento.








Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
sexta-feira, maio 23, 2008
Por Anônimo

Alguns filmes merecem ter continuações, outros merecem continuar únicos e intocáveis. Está certo que Indiana Jones desde sempre foi uma série cinematográfica, mas isto não significa que seus episódios devem se infindar ao longo do tempo. Foi este o raciocínio que George Lucas e Steven Spielberg não tiveram – e, ao que tudo indica, permanecem no mesmo estágio dealienação. A proposta inicial, desenterrar do passado o maior nome da aventura de todos os tempos, se estabelece, mas não com a mesma roupagem.

Misturando características de “filme B” com critérios de super-produção, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and The Kingdom of the Crystal Skull – EUA – 2008 – Paramount) parece tentar se sustentar a todo momento naquilo que a aventura jamais foi: inútil. A história se perde em muitas explicações que, apesar de serem a parte mais inteligente do filme, não se relacionam com a verossimilhança de Indiana. O contexto alienígena que Spielberg tanto gosta foi o suficiente para afastar quase que por completo o quarto episódio dos demais.

Deixando os avanços tecnológicos em evidência (que se fazem presentes mais pelas possibilidades atuais do que pela competência), “O Reino da Caveira de Cristal” não inova em sentido algum. Os efeitos visuais são majestosos na hora de construir cenários e algumas seqüências do início e do final do filme e se tornam, às vezes, o único atrativo numa produção que tão pouco deveria
utilizá-los. Entretanto, a habilidade da direção para elaborar cenas de fuga e luta não pode ser alvo de protestos. Tampouco o elenco que participa das mesmas.

Superando expectativas, Harrison Ford, de fato, detém o nome de seu personagem no bolso. Apesar da idade, Ford realiza manobras e movimentos que nem Shia LaBeouf (mais rápido, porém menos talentoso do que em “Transformers”) se arrisca a tentar; no filme da franquia que utilizou menos o dublê e mais a capacidade até agora. Sua boa forma, aliás, não é vista apenas no caráter físico. Henry Jones Júnior se mantém vivo em sua carcaça; impresso em cada detalhe da atuação de Ford, numa presença de cena que domina o espaço e desfaz qualquer necessidade de coadjuvantes ou, quem sabe, sucessores.

Se o filme apresentou algum valor positivo, foi em suas escolhas. A que mereça mais destaque, Cate Blanchett, convence como sua primeira grande vilã na maior parte da trama, mas escorrega em momentos importantes; nada que diminua seu valor no filme, claro. Mas quando somada aos outros deslizes que o elenco como um todo comete (como a carga exclusa do espontâneo de Karen Allen, a Marion) se torna uma grande ausência daquilo que poderia ser o diferencial do longa. Uma fórmula que, a princípio, possui os ingredientes para funcionar, mas que por fim funciona apenas como um atalho para mais uma vez nos apegarmos aos atributos técnicos.

Apesar do grande exemplo inserido do que um péssimo roteiro pode causar (sem mencionar o valor denegrido que a série adquiriu agora), Steven Spielberg procura contornar a situação impondo suas marcas e seus lugares comuns que sempre funcionaram. O trabalho com a fotografia e a azulação no brilho dos focos de iluminação artificial – um detalhe simples, porém perceptível -, a preferência por enquadramentos panorâmicos e algumas tomadas curtas não escondem a fragilidade do todo. Nem mesmo a trilha sonora de John Williams se mostrou capaz e revigorante, se insinuando como a característica mais flutuante do filme.

Reprises gerais, previsões e citações de outras produções são os retalhos de um tecido mal costurado que, ainda que mantenha alguma suavidade, não está na medida. Se há algum interesse em prolongar a existência do Dtr. Jones, que este seja feito com mais escrúpulos e. Aliás, o próprio enredo – submerso em controvérsias - deixa claro que o lugar de Harrison ainda não está vago. Só resta acreditar que seu sucessor espere pacientemente para herdar o chicote e o chapéu. Henry Jones ainda tem um nome a ser limpo.







A Visão de um fã: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
quinta-feira, maio 22, 2008
Por Anônimo

Por Igor Arume

Muita expectativa foi criada em torno do filme. Fui para o cinema esperando ver um dos melhores filmes de Indiana Jones, afinal, foram 19 anos de espera e durante todo esse tempo muitas idéias boas podem surgir.

As cenas iniciais do filme no galpão da área 51 são muito boas - para mim as melhores do filme - na qual fiquei arrepiado a cada referência aos filmes anteriores como na cena em que aparece a Arca e sua música tema; e Spalko posicionando a mão como se fosse Mola Ram arrancando o coração de Indiana. Após a meia hora inicial, o filme perde o seu ritmo.

As cenas de humor estavam um tanto exageradas. Indiana salvando sua vida de uma explosão nuclear saindo ileso protegido por uma geladeira? Era necessária a cena da queda nas 3 cachoeiras? Aqueles macaquinhos e Mutt pulando nos cipós como se fosse o Tarzan?
Spielberg queria fazer um Indiana Jones estilo filmes B dos anos 50, onde o principal tema são alienígenas. Mas será que Indy precisava disso?

O tema das caveiras de cristal não foi um MacGuffin ideal. Talvez fosse melhor deixar para os Agentes Fox Mulder e Sculy no próximo Arquivo X.

A trilha sonora de John Williams não é tão marcante como as anteriores. Parece que ele não estava inspirado, tanto é que não saí do cinema cantarolando qualquer música do filme.
Até agora eu só reclamei do filme. Vamos às críticas positivas:

O filme recebeu efeitos especiais de primeiríssima qualidade (destaque para a cena da implosão do templo e da explosão nuclear - uma das mais reais já vistas) e para a cena da perseguição na floresta (que infelizmente deixou a desejar no quesito emoção e originalidade) e as formigas carnívoras (apesar de parecem uma cópia descarada dos escaravelhos carnívoros do filme A Múmia).

Os personagens de Blanchett (Spalko), Jim Broadbent (Charles Stanforth), Ray Winstone (Mac), Shia LaBeouf (Mutt) foram uma adição positiva ao filme. O papel de Mutt ficou bem interessante, lembrando a relação entre Indy e seu pai em a Última Cruzada, fazendo o contraste entre juventude x experiência.

Harrison Ford merece destaque: não deixa dúvidas que ele é e sempre será Indiana Jones e sua forma física está excelente. Blanchett também merece palmas pela sua personagem que transmite frieza e sensualidade. Já o personagem de Marion parece que foi colocada lá só para apresentar Indy a seu filho.

Para as novas gerações que não conhecem Indiana, o filme é uma grande opção de divertimento e cumpre bem o seu papel neste ponto. Mas para os fãs que aguardaram ansiosamente pelo filme, ficarão um pouco decepcionados, com uma sensação de "ficou devendo".







Speed Racer
sábado, maio 10, 2008
Por Anônimo

Criar um mundo totalmente novo partindo do zero é um trabalho cansativo. Mas recriar algo já consolidado, em outros parâmetros, não pode ser definido em uma ou duas palavras em qualquer vocabulário quanto a sua complexidade. Não podia. Speed Racer (Speed Racer – EUA – 2008 – Warner) é um bom sinônimo para a façanha. Misturando conceitos do cinema moderno com anime e adaptado sobre o foco de luzes e cores extravagantes, Andy e Larry Wachowsi (os criadores da trilogia “Matrix”) acertaram a mão.

O trabalho arrojado e meticuloso do longa é uma fantasia à parte, que faz da trama – ainda que bem coerente - o menor atrativo. A engenhosidade da composição visual fascina, mesmo que seja falha em alguns momentos. A idéia de desenvolver a trajetória do filme como um grande episódio com todas as características do desenho animado que o originou é posta em prática sem erros graves. Desde a edição até o fundo falso digital proposital, passando pelo desenho de produção futurista meio anos cinqüenta e os figurinos na mesma linha, os atores parecem, a todo momento, fazerem parte de uma animação high-tec.

Num primeiro momento pode soar estranha esta utilização “live action em anime”. Afinal, estamos num momento do cinema onde os efeitos visuais servem para trazer a fantasia para o mundo real com uma riqueza de detalhes extrema, nunca para distanciá-la. Entretanto, se os critérios da arte forem postos acima do comércio (ainda que este seja o ponto central do filme tanto nas telas como na sua função no mundo real) isto pode ser visto por outro ângulo. Mas essa estranheza sentida pelo espectador pode mudar não por uma modificação ao longo do filme, mas sim pelo que ele ainda tem a acrescentar; mesmo não deixando de ser uma tentativa nova e inexplorada às vezes vacilante. Gorducho, o irmão de Speed Racer, interpretado por Paulie Litt (que rouba a cena de Susan Sarandon ao dialogar com a mesma pela primeira vez no filme), protagoniza as poucas cenas dispensáveis, indicando o que é funcional ou não na linguagem cinematográfica. Nada que não possa ser repensado em futuras idéias do gênero.

A pirotecnia, mais um produto da criatividade exagerada dos realizadores do que da ciência computadorizada, realiza seqüências de ação frenéticas protagonizadas por carros cheios de brilho, reflexos e engenhocas mecânicas que marcam a força e agilidade que corredores e suas máquinas devem ter num mundo onde as disputas são vitais. Fúria acompanhada por uma trilha sonora que não se contenta em apenas colaborar com as perseguições e desafios – trata-se de uma contagem respeitável. Claro que certa coerência com o nosso universo, a chamada verossimilhança, deve ser mantida; é o que dá credibilidade ao inacreditável das produções do estilo – um paradoxo essencial. Entretanto, ela pode e deve ser esquecida, assim como as leis da física, quando o objetivo é iludir e entreter com leveza e graça. Graça esta que não impede a inserção da agressividade que uma corrida a quatro rodas possui. O carro fu (uma versão do kung fu para automóveis), é verdadeiro e original e alcança o apogeu nos momentos da história em que os personagens trabalham em equipe e sincronia (um dos principais argumentos do anime de Speed) dominando as cenas e intensificando pequenos detalhes. É evidente que os exibicionismos do poderio hollywoodiano para criar cenas de ação são um elemento importante, mas a soma destes com a destreza e inteligência dos irmãos Wachowsi se transforma num show a parte.

O brilho de “Speed Racer” não se resume às inovações que o longa traz ao fazer aquilo que muitos recearam em fazer – seja por falta de coragem ou de competência; esta última a mais provável. Andy e Larry se preocuparam com o enredo, com a evolução deste e de como os personagens o acompanhariam. É evidente que uns recebem mais atenção do que outros, mas há uma dúvida saudável se este foco é cortesia dos diretores ou produto da qualidade do elenco. A família de Speed é única. Emoção, carinho e amor são valores familiares que não estão expressos em frases feitas. Residem no olhar, na relação e na interação que apenas a total entrega à profissão teatral pode alcançar. Uma beleza que deixa de ser sutil e passa a ser admirável; técnica artística que dispensa a maquiagem dos efeitos digitais, colocando-os em seu lugar.

Por mais evidente que seja que “Speed Racer” é um filme baseado na computação gráfica, não há como encará-los como peças-chave, ora que tantos outros argumentos valiosos são expostos no filme. Exemplo disto é a proteção distante e heróica que o Corredor X mantém sobre Speed e a dupla-troca entre ambos. Ou o fato de nada superar a ópera tão bem maestrada que são os segundos finais da última corrida, na melhor edição de efeitos especiais, emoção, intensidade e glória expressos nos rostos dos menores figurantes às figuras centrais que um filme até hoje já apresentou. Uma experiência única que dentre outras ilustradas retribuem o dinheiro pago no ingresso.

Há uma generosidade gratificante satisfatória que reflete qualquer anseio por prováveis continuações. Se houver, a produção terá muito trabalho para se distanciar e tomar a dianteira quando comparado inevitavelmente com o primeiro filme. Se os irmãos Wachowski não se perderem nos belos efeitos visuais que detém, é bem possível que estejamos diante de uma futura grande trilogia; após submetida a uma breve regulagem.

Nota: Green Energy, o carro da Petrobrás, só se identifica na tela por 4 segundos (contados) antes da largada da corrida final. Aliás, o logotipo da Motorola aparece bem mais num reles walk-talk do que o que podemos enxergar na mistura de cores da pista pela qual o carro brasileiro percorre. Procure compensar nos créditos finais. É tocada a nova versão da música tema de “Speed Racer”. Dentre as várias línguas presentes na canção, se encontra um português sem concordância verbal. Mais fácil entender pelo trecho em inglês.


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